A relação entre corpo e mente


Na Grécia antiga, a psique não era vista como dissociada do corpo.


Como diz o mitólogo brasileiro Junito Brandão (1924-1995), “somente nas religiões de mistérios, Mistérios de Elêusis, Orfismo, Pitagorismo (...) é que se postulou a dicotomia corpo-alma” (BRANDÃO, 2014, p. 542).


E o que era essa união entre corpo-alma? Uma das primeiras narrativas sobre esta conexão nos chega por meio da obra do poeta grego Homero (928 a.C. - 898 a.C).


Para ele (HOMERO, 2002), a psique era um pouco mais substanciosa que um sopro, algo volátil como uma sombra ou fumaça, que habitava o mundo inferior, dos mortos (BRANDÃO, 2014, p. 542).


Segundo o mitólogo, tais "enfoques acentuam uma antiga intuição de que o corpo, mesmo após a morte, possuía uma existência real e de que, se esta continuava no Hades, haveria de ser, de certa forma, física” (BRANDÃO, 2014, p. 543).


Ainda assim, ao sair do corpo, a psique seria prejudicada em sua inteligência e memória, habilidades que ficavam latentes. Por isso, os gregos antigos entendiam que não se morre, “se cobre de trevas” (BRANDÃO, 2014, p. 543).


Esses ecos da aurora da psicologia chegam até nós. Para o psiquiatra suíço Carl Gustav Jung, por exemplo, "conforme antiga tradição, a alma anima o corpo, como ela, por sua parte, é animada pelo espírito" (JUNG, 2011 § 338).


Alguns seres "mitológicos" nos ilustram simbolicamente como essa divisão corpo e mente se mostraria. Um zumbi, por exemplo, seria a representação simbólica de um corpo sem alma. Já um vampiro de um ser cujo corpo sobrevive por meio da apropriação da essência (no caso o sangue) de outras criaturas.


Na Psicologia Junguiana a proposta seria seguir o caminho da individuação, onde corpo e alma enfrentariam juntos, da forma mais integrada possível, os desafios da vida.


Dra. Monica Martinez



Para saber mais

BRANDÃO, J. DE S. Dicionário Mítico-Etimológico. Rio de Janeiro: Vozes, 2014.

HOMERO. Odisseia. São Paulo: Nova Cultural, 2002.

JUNG, C. G. Mysterium coniunctionis (OC 14/2). 2. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2011.


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