Ansiedade e padrões de beleza


O que surge primeiro? A ansiedade ou a ditadura da beleza?


É o tipo de pergunta como a "quem botou o ovo primeiro". Em ambas, não há necessariamente uma resposta certa. Mas há uma correlação.


Um livro que ajuda a pensar a questão com profundidade, na perspectiva junguiana, é "A coruja era filha do padeiro".


Quem o escreveu foi a canadense Marion Woodman (1928-2018), que além de analista junguiana era também mitopoeta. Pelo título já dá para perceber a delicadeza, não é?


Quem é esta filha do padeiro? Não vou dar spoiler e tirar a beleza da leitura da história de Ofélia, a pequena coruja sem voz. Ops...


Mas vou dizer que gosto particularmente do subtítulo da obra: "um estudo revelador sobre a anorexia nervosa, obesidade e o feminino reprimido".


É, feminino reprimido... No livro, a autora diz que "as mulheres do século XX têm vivido há séculos numa cultura de orientação masculina que as manteve inconscientes de seu próprio princípio feminino". Podemos dizer que as do século XXI também.


Em "suas tentativas de encontrar seu próprio lugar num mundo masculino, elas têm aceito, inadvertidamente, valores masculinos".


Quem de nós não se deixou orientar por alvos e metas que atire a primeira maçã.


Mas a feminilidade inconsciente cedo ou tarde se rebela. Como diz a autora, "a deusa perdida em seu próprio corpo rejeitado" se somatiza na obesa ou devora a anoréxica.


Vale ler o livro para saber como lidar com a questão. Mas vou encerrar aqui com um trecho da autora: "Somente descobrir e amar a deusa perdida em seu próprio corpo rejeitado" permite à mulher descobrir e ouvir sua própria voz autêntica.


Lembrando que sempre que falamos de deusas e mulheres estamos falando do princípio feminino. Por isso é bom lembrar que Jung dizia que os homens também tem a sua representação da imagem do feminino internalizada, a anima.


Cá entre nós, amei escolher a imagem que abre este post, de modelos plus size. Lindas. Se achar no próprio corpo e acolhê-lo como ele verdadeiramente é, vivendo a feminilidade de forma consciente, é para as fortes. Mas será que há outro caminho para ser feliz que não seja o de fazer as pazes com o corpo?


E encerro o post com (quase) o verso da mesma preciosa imagem.


Dra. Monica Martinez, psicanalista junguiana


Serviço

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